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Nossa paulicéia: retratos, retalhos...
16/11/2006
Edifício Martinelli
Visto durante uma caminhada pela Rua Líbero Badaró, o incomparável Edifício Martinelli, por Adriano Vieland

Manhã, bom dia; 30 andares, 130 metros de altura; cor-de-rosa único, é incomparável, foi amado e detestado, foi o maior de todos, e não apenas aqui, mas em toda a América Latina - quando em sua inauguração, marcando o início do movimento de verticalização da cidade.

Idealizado pelo comendador italiano Giuseppe Martinelli, teve como autor do projeto um húngaro, o arquiteto William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena, e foi erguido entre os anos de 1925 e 1929, tendo sua construção questionada por diversas vezes - inclusive na justiça - em função de sua considerável altura (que não era comparável com nenhum outro prédio no país). É talvez o mais belo edifício da cidade, e marca todo o glamour arquitetônico da Belle Époque que rondou a capital no início do século XX.

Teve altos e baixos; respondeu por seu pioneirismo, recebeu visitantes ilustres, abrigou em suas dependências os mais diversos tipos de instituições, empresas, residências, hotel, cinema, restaurantes, bares, cassino; foi contornado pelo Zepellin - em sua visita a cidade em 1933; sofreu duros golpes como problemas financeiros e a perda de prestígio - como o título de mais alto da cidade; foi cenário de crimes e invasões, tornou-se sinônimo de abandono e insalubridade; deu a volta por cima, passou por desapropriações e reformas, conseguiu novamente o prestígio e respeito, até ser tombado pelo Patrimônio e estar aí, praticamente 80 anos depois, ainda imponente em nosso cotidiano.

Nosso grande Edifício Martinelli.


 

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31/10/2006
Edifício Sampaio Moreira
Da Líbero Badaró, um olhar para o alto buscando contemplar cada detalhe do primeiro edifício da cidade, o Sampaio Moreira, por Adriano Vieland

A semente que deu origem a selva de pedra; é assim que podemos descrever em breves palavras o Edifício Sampaio Moreira. Concluído em 1924, foi o primeiro "arranha-céu" de São Paulo, com 13 andares, porão e ático, e seus 50 metros de altura - o que viria a romper os padrões horizontais das construções contemporâneas a sua realização.

Situado na Rua Líbero Badaró, 344-350, voltado ao Vale do Anhangabaú e plenamente visível da Praça Ramos de Azevedo e Viaduto do Chá, foi o edifício mais alto da cidade até a inauguração do seu vizinho, o Martinelli, em 1929, com praticamente o dobro de sua altura.

Projetado por Cristiano Stockler das Neves e financiado pelo comerciante português José de Sampaio Moreira, exibe de forma clara o momento de transição da arquitetura inspirada em linhas francesas, ornamentadas, para as linhas americanas, verticais.

Incrívelmente bem conservado, porém com diversos andares comerciais disponíveis, no térreo conta desde sua inauguração, com um dos patrimônios comerciais da cidade, a tradicional mercearia Godinho, famosa pelo excelente bacalhau norueguês que comercializa, além de vinhos, destilados, azeites, compotas, entre outros.


 

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